
No mercado imobiliário brasileiro, o preço correto de um imóvel não é sinônimo de “desconto”, mas de uma estratégia de liquidez cada vez mais crucial. Em artigo publicado no portal Brazil Economy, Peixoto Accyoli, CEO e presidente da RE/MAX, afirma que “quem quer vender precisa transformar patrimônio em dinheiro sem perder tempo”. Essa máxima, segundo o especialista, ganha ainda mais importância em um cenário de juros altos, com a Selic a 15% e o CDI em patamares de dois dígitos.
Segundo Accioly, o erro na precificação pesa no bolso. Proprietários que insistem em valores acima do mercado não apenas perdem liquidez, como deixam de ganhar até 12% anuais em aplicações conservadoras. Ao mesmo tempo, arcam com custos como IPTU e manutenção. “Defender o preço errado pode custar mais do que o desconto que ele [proprietário] se recusa a dar”, afirma.
“O imóvel precisa virar caixa para quitar uma dívida, reinvestir, trocar de imóvel, empreender ou simplesmente fazer o dinheiro render mais. Nesse cenário, um imóvel parado, sustentado por uma precificação emocional ou especulativa, vira um ralo de dinheiro: consome tempo e destrói o retorno do capital”, complementa.
Apesar dos desafios, o mercado vive um momento de valorização. Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP) mostram que o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) cresceu 18,6% em 2025, impulsionado por cidades como Belo Horizonte (+20%) e São Paulo (+15%).
O mercado é seletivo: compradores priorizam preços baseados em dados técnicos, como apontam pesquisas da Brain Inteligência Estratégica. Segundo a análise, cerca de 48% dos brasileiros pretendem adquirir imóveis nos próximos dois anos. O segmento de imóveis usados de médio e alto padrão, quando bem precificado, tem encontrado forte demanda para atender essa intenção, pontua o especialista.
O mercado de locação, com o índice IVAR da FGV subindo 8,9% em 2025, oferece uma saída rentável para quem decide não vender, desde que a decisão seja estratégica, e não uma ‘fuga’ por falta de propostas de compra”, alerta Accyoli.
A valorização estrutural do mercado, principalmente em áreas centrais, está sustentada por limitações territoriais e pelo alto custo da construção. Por outro lado, proprietários que utilizam essas informações para elevar preços a patamares fora da realidade correm o risco de estagnar seus bens.
“O proprietário que lê sobre a valorização de 18% e decide, arbitrariamente, adicionar essa margem sobre um preço que já estava fora de mercado, condenará seu patrimônio à estagnação”, diz Accioly.
O recado final é claro: precificar corretamente é estancar os custos de oportunidade e destravar o real potencial financeiro dos imóveis. Hoje, o mercado imobiliário demanda profissionais que operem com dados.
“O mercado é saudável, comprador e está em ascensão. Mas ele não perdoa o amadorismo e achismos. Precificar corretamente não é perder dinheiro; é estancar o custo de oportunidade e destravar a riqueza real que seu patrimônio pode gerar”, afirma o executivo. “A valorização estrutural que projetamos para o ciclo 2025-2026 beneficiará quem entender que a liquidez é o nome do jogo”, conclui Accyoli.
*Com informações de Brazil Economy

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