
Um relatório do Itaú BBA aponta que os financiamentos do programa MCMV (Minha Casa Minha Vida) em 2026 cresceram 26% no acumulado de janeiro a abril deste ano em relação a igual período de 2025, confirmando que o mercado popular segue com força neste ano. O estudo destaca que a demanda continua aquecida mesmo em meio às discussões sobre mudanças trabalhistas (fim da escala 6×1) e possíveis impactos no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
O principal destaque do estudo está justamente no crescimento do crédito imobiliário dentro do Minha Casa Minha Vida voltado à baixa renda. Segundo o banco, os financiamentos para imóveis novos nessa faixa somaram R$ 36,7 bilhões entre janeiro e abril, o equivalente a 30,4% de todo o orçamento do programa para 2026.
Na avaliação dos analistas, o desempenho reforça a resiliência da demanda habitacional no segmento econômico. “A demanda no programa permanece forte”, destaca o relatório, assinado por Elvis Credendio, Daniel Gasparete, Mariangela Castro e Juliana Veiga, todos integrantes do setor de Real Estate do banco.
A cidade de São Paulo foi um dos principais motores da expansão do programa neste início de ano. Os financiamentos ligados ao MCMV na capital paulista avançaram 45% na comparação anual, alcançando R$ 6,4 bilhões.
O estado de São Paulo sozinho movimentou R$ 13,6 bilhões em financiamentos do Minha Casa Minha Vida até abril, crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o Itaú BBA, boa parte do crescimento do Minha Casa Minha Vida na capital está concentrada nas faixas 2 e 3 do programa, justamente aquelas mais ligadas às incorporadoras listadas em bolsa. “Mais importante ainda, um dos aumentos mais significativos vêm da cidade de São Paulo, com alta de 45% na comparação anual, com a execução dos financiamentos concentrada principalmente na Faixa 3 (57% do total) e na Faixa 2 (26%)”, escrevem os autores do estudo.
Além de São Paulo, o Nordeste aparece como um dos principais destaques do levantamento. A região registrou crescimento de 42% nos financiamentos imobiliários do programa, saltando de R$ 5,5 bilhões para R$ 7,8 bilhões. Maranhão (+77%), Paraíba (+54%), Piauí (+47%) e Rio Grande do Norte (+45%) ficaram entre os maiores crescimentos regionais do país.
Os dados mostram ainda que o Norte do país teve expansão de 68% nas concessões de crédito habitacional, enquanto o Centro-Oeste avançou 25%. O Sudeste segue concentrando o maior volume financeiro, com R$ 18 bilhões liberados no período.
Entre os maiores crescimentos proporcionais do país aparecem Distrito Federal (+85%), Tocantins (+82%), Maranhão (+77%) e Pará (+58%), indicando avanço do crédito habitacional também fora dos grandes polos tradicionais do mercado imobiliário.
O relatório também aponta crescimento relevante em estados como Ceará (+40%), Pernambuco (+41%) e Bahia (+34%), reforçando o fortalecimento do programa em diferentes regiões do país.
Outro ponto analisado pelo Itaú BBA é a dinâmica do FGTS, principal fonte de recursos do financiamento habitacional popular. As entradas líquidas do fundo somaram R$ 11,9 bilhões no acumulado até abril, queda de 5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Março e abril foram os meses mais fracos, com retrações de 87% e 18%, respectivamente. Apesar disso, os analistas descartam um cenário de pressão estrutural sobre o fundo.
“Embora isso indique um cenário negativo nos últimos dois meses, não acreditamos que signifique que o balanço do fundo esteja sob forte pressão. Os ativos continuam a render juros, as taxas de desemprego estão nas mínimas históricas e março e abril tendem a ser meses sazonalmente mais fracos”, destaca o relatório.
Os depósitos no FGTS cresceram 8% no quadrimestre, alcançando R$ 76 bilhões. Já os saques avançaram 11%, somando R$ 64 bilhões no período. O banco também ressalta que o nível historicamente baixo de desemprego tende a continuar sustentando entradas robustas no FGTS, além do fato de o fundo possuir um balanço considerado sólido para manter novas concessões de crédito habitacional.
O relatório também cita a proposta em discussão no Congresso para extinguir gradualmente a escala 6×1 ao longo de dez anos. O texto prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial, além de compensações às empresas, como redução de 50% nas contribuições ao FGTS e desoneração da folha para novas contratações.
Apesar do potencial impacto sobre a dinâmica de funding da habitação popular, o Itaú BBA considera improvável a aprovação da proposta nos moldes atuais.
Reportagem de Clayton Freitas

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